Vitória – Um relato emocionante sobre Gravidez e câncer na família

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Este turbilhão começou quando viajei às pressas, em agosto de 2014, de  Atlanta, onde moro a SP para encontrar minha mãe pois ela não estava bem. Cheguei no dia que ia ser feita uma biópsia: ela estava com muita dor e ninguém descobria de onde estava vindo. Nesse mesmo dia alguns problemas no exame aconteceram e ela teve que ir para a U.T.I.

Que cena difícil de esquecer! Lá ficou por uns dias e depois foi para um leito. Minha irmã e eu decidimos que queríamos saber o diagnóstico antes dela para juntas contarmos. Com muitos compromissos, minha irmã, infelizmente não pode estar na divulgação do diagnóstico.

Eu estava numa sala com 3 médicos e ali fui informada que minha mãe tinha câncer. Acredito ser a pior notícia que alguém pode ouvir. Meu mundo caiu. Mas, não podia desabar, tinha que ser forte, pois a principal missão ainda estava por vir: precisava contar para ela! Fui a responsável por dar a notícia que mudaria a vida dela e, é claro, de todos ao seu redor.

E assim começou a série de exames, médicos, remédios, quimioterapia e internações.

 

O câncer era de sangue, um tipo de leucemia, assim, com o passar do tempo foi programado o Transplante de Medula Óssea (o chamado “TMO”). Mais uma vez fui ao Brasil dar apoio e ficar com a família. Isso foi em julho do 2015.

Desta vez havia uma outra importante e feliz notícia para contar, aquela informação que mudaria a vida dela e de todos como da outra vez mas de modo positivo.

Cheguei no dia do transplante. Não via a hora de encontrá-las e contar a novidade tão esperada. Eu estava gravida, já com 11 semanas de gestação! Logo quando entrei no quarto, sem mais delongas, pedi a minha irmã para fazermos um brinde às coisas boas, um brinde à vida ( detalhe que o brinde foi com guaraná diet! Rsrs)

Finalizei brindando ao bebê! A surpresa e a emoção tomou conta de  todos e a felicidade daquele momento estará guardada para sempre em nossos corações. Afinal, depois de um tempo de tempestade tinha que vir a luz que faria de alguma forma que toda a tormenta ficasse um pouco mais branda.

Com certeza saber que seria vovó deu energias e motivação para o pós-transplante. Um caminho longo que precisamos de muita, muita força. No hospital os médicos já diziam que ela teria condições de vir para os EUA para o nascimento do primeiro netinho. Ela duvidava, já eu só rezava.

Meses se passaram, minha barriga e os cabelos dela cresciam. Compramos as passagens para ela vir junto com a minha irmã para cá, uma verdadeira alegria misturado a preocupação. Todos os dias eu rezava para ela melhorar e conseguir vir conhecer o neto, não só para que ela pudesse ver seu rostinho nesse primeiro momento, mas para que ele – assim é a energia das crianças – pudesse lhe dar forças para continuar a viver e lutar. Neste meio tempo mais internações e febres. E assim com mais fé, todo dia eu rezava e rezava.

Chegou o dia de buscá-las no aeroporto. Eu estava explodindo! Tanto de felicidade quanto pelo tamanho da barriga! Conseguimos aproveitar quase uma semana juntas antes do nascimento. Apostamos corrida de carrinho automático no mercado, fomos a restaurantes, fomos ao médico para o ultrassom, nos divertimos e aproveitamos ao máximo o tempo juntas. Foi aí que fiz o convite para as duas, (lógico que já tinha a autorização do maridão previamente) perguntei se elas queriam assistir ao parto. Sabia que minha mãe toparia na hora, minha irmã…bem…ela foi corajosa, não é para todos, mas topou.

Era algo extremamente importante para mim, mas principalmente para minha mãe! E aquilo nos conectaria ainda mais, com muito mais força, uma força divina: a vida alí presenciada.

Depois de uma semana com todas juntas, o tampão mucoso começou a sair, mas as contrações começaram somente alguns dias depois. Acorda todo mundo, aquela correria, a emoção do dia! Nesse dia meu pai chegava aqui. Contrações espaçadas novamente. Ansiosas e esperançosas, resolvemos ir ao médico: 1 cm de dilatação.

Para as mamãe que ainda passarão por isso, vai a dica: Ande muito! Eu, sinceramente, não aguentava mais andar! Não é raro ter “alarmes falsos”, e no meu caso ainda não era hora, voltamos para casa. Na verdade….fomos comer pizza!

Sexta, dia 5 de fevereiro, dia que completava 40 semanas, às 2 da manhã, achei que minha bolsa tinha estourado. Acorda todo mundo de novo! Fomos ao Hospital por ordens médicas.

Exames, espera, meu coração saindo pela boca. Sempre tive medo de parto. Não era a bolsa ainda, mas por eu ter completado todas as semanas e estar …. deplorável (pronto falei), decidimos induzir ao parto normal. Falamos para os meus pais e minha irmã voltarem para casa e descansarem pois ainda iria demorar.

 Com medo, deixei bem claro que queria anestesia e todas as drogas possíveis para não sentir dor. Queria ter um filho e não me tornar heroína!

Todos ansiosos, a família voltou ao hospital. Descansamos o máximo possível, pois nada podia ser feito naquele primeiro momento. Na madrugada a médica me examina e disse que era hora. Ufa! 40 semanas, pode vir, filho!

Marido vai e chama a minha mami e minha mana. Foi mais fácil que eu esperava, em 10 minutos o Mark nasceu. Felicidade nos olhos do meu marido, emoção no quarto todo. Nada melhor que estar cercada de quem a gente mais ama no mundo num momento tão único.

A vovó Vitória (sim esse é o nome dela, será que existem coincidências?) conseguiu aproveitar essa viagem como ninguém! Além de tudo fez aniversário junto com a família: celebrando a vida e agradecendo por estes momentos. Afinal de contas a vida é assim: surpreendente.

Obs: Semana que vem, se Deus quiser, ela estará de volta. Para juntas comemorarmos os dias das mães, o meu primeiro. E assim começaremos mais uma fase juntas e que a cada fase seja uma Vitória

Meu nome é Maíra, tenho 30 anos, casada, moro há 5 em Atlanta e tenho um bebê lindo de 2 meses, o Mark.

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